Metallica 2010 – Discos
Postado em 09. jan, 2010 por guga na(s) categoria(s) Outros
Bandas de metal em geral costumam ser tachadas de barulhentas e repetitivas, e não tiro a razão de quem diz isso, é a pura verdade. Eu gosto de heavy-metal, mas não posso negar que a grande maioria das bandas soam exatamente igual (ou muito parecido) na grande maioria de suas músicas e discos.
Metallica é uma banda que sempre causou controvérsias. Como o próprio Kirk Hammett disse na entrevista para Playboy, isso é o que os alimenta. Os três compositores principais da banda sofrem de uma espécie de crise da não-repetição. Em hipótese nenhuma eles querem gravar uma música que soe exatamente igual a uma outra já gravada.

James, Kirk e Lars: Os cérebros da banda
James já revelou em uma entrevista que uma das músicas que ele mais relutou em gravar foi Unforgiven II (CD ReLoad 1997), pois seria exatamente aquilo que eles sempre se negaram a fazer. Ele explicou em detalhes que a música estava praticamente pronta com outra letra, mas ele percebeu que as linhas de guitarra eram exatamente iguais as da primeira música (CD Metallica 1991). O resto da banda que teve de convencê-lo a alterar as letras para criar uma espécie de continuação, pois a música era realmente boa e não podia ser perdida assim.
Quem acompanha a banda como eu, já percebeu que nenhum disco é igual ao outro. Cada um possui caraterísticas únicas de harmonia. Seja por questões de tecnologia, como o Kirk já disse que influencia bastante em suas composições, ou por questões pessoais, como James deixou bem claro no DVD Some Kind Of Monster.
Então vamos às descrições dos CDs. Lembrando que são textos simples e objetivos, simplesmente para apresentar algumas características e curiosidades.

Kill ‘em All
Lançado: 29 de Julho de 1983
Gravado: Mai/83, Music America Studios, Nova York
Musicas: 10
Duração: 51:13
Gravadora(s): Music For Nations, Elektra, Megaforce Records,Vertigo
Produção: Paul Curcio, Jon Zazula
Crueza. Essa é a palavra que melhor pode descrever Kill ‘em All. Sem muitos recursos de produção e efeitos de mixagem, as músicas são exatamente o que se ouviria em um show da banda na época. Na verdade, o processo de gravação em si foi um “show” dentro do estúdio. Todos dentro de uma sala, tocando as músicas juntos e os equipamentos gravando. Somente o vocal de James foi gravado separadamente.
O CD todo é caracterizado por um som altamente agressivo, com riffs rápidos de James, solos ainda mais rápidos de Kirk e a bateria cavalgante de Lars. Destaque mais do que especial para o baixo de Cliff Burton. Esse sim sabia tocar baixo e foi um dos poucos baixistas na história do rock a ter uma faixa exclusiva em disco, num solo de quatro minutos com seu baixo ligado a um pedal de distorção.
Do primeiro ao último segundo, a impressão que se tem é que a banda realmente quer matar todo mundo com seu som frenético e agressivo, sobretudo com as letras que fazem uma alusão de destruição causada pelo heavy-metal. O disco deveria se chamar Metal Up Your Ass (literalmente “metal na sua bunda”) mas a gravadora se negou a lançar um disco com tal nome, então Kill ‘em All não poderia se encaixar melhor.

Ride the Lightning
Lançado: 27 de julho de 1984
Gravado: Set/83 – Jun/84, Sweet Silence Studios, Copenhaguem
Músicas: 8
Duração: 47:27
Gravadora(s): Elektra
Produção: Flemming Rasmussen
Na ordem natural das coisas no mundo do metal (Thrash-metal no caso do Metallica) seria o lançamento de um disco parecido com o primeiro. Mas não foi exatamente isso que aconteceu com Ride the Lightning. Enquanto o primeiro disco era cru e frenético, o segundo nasceu bem produzido, com uma mixagem bem trabalhada e uma certa calmaria que não aparece no primeiro disco.
A banda surpreendeu a todos os fãs logo nos primeiros segundos com uma introdução feita por violões acústicos. Além disso, o disco possui a primeira balada da banda, uma música instrumental de 8 minutos e as letras são todas de cunho político, histórico e social.
Como é corriqueiro no mundo do heavy-metal, as bandas sempre procuram trazer um conceito que abrange todo o disco, e o Metallica buscou fazer isso com Ride the Lightning. O nome é uma gíria usada entre presidiários para designar os condenados à morte na cadeira elétrica, e a música homônima traz a opinião contrária da banda em relação a pena de morte. Quem ouvir o disco traduzindo as letras perceberá que “morte” é o conceito do disco, sob vários aspectos.
Para muitos críticos, esse é o melhor disco de thrash-metal, e principalmente o melhor disco do Metallica. É de fato um marco na história do metal, pois foi uma das poucas bandas a associar peso, harmonia e velocidade.

Master of Puppets
Lançado: 3 de março de 1986
Gravado: Set/85 - Dez/85, Sweet Silence Studios, Copenhaguem
Músicas: 8
Duração: 54:45
Gravadora(s): Elektra, Music For Nations, Vertigo
Produção: Flemming Rasmussen
Esteticamente falando, o terceiro disco é bem parecido com o segundo. Tem uma introdução com violões, possui uma balada e também uma musica instrumental. Além disso, também apresenta um conceito, o de “dominação”, que é retratado de formas diversas. A faixa título por exemplo, faz uma analogia de dominação causada pelas drogas.
O que diferencia esse disco do anterior é o estado da arte em si. Amplamente reconhecido como um dos maiores álbuns da história do metal, reúne a agressividade e velocidade de Kill ‘Em All com a técnica melhorada de Ride the Lightning. O resultado são composições muito bem elaboradas. Os riffs de James estão complexos e apresentam uma técnica de palhetada jamais vista até então. Os solos de Kirk ficaram mais melódicos e trabalhados, de uma forma que apresentantam variações no mesmo ritmo de James. Lars coloca toda sua técnica no uso de bumbo duplo em praticamente todas as músicas, e Cliff, mais uma vez mostra que baixo com distorção é coisa pra poucos.
Ozzy Osbourne já declarou que “Master of Puppets é o que se fez de melhor na história do Heavy Metal”. A revista americana Kerrang! Klassic o elegeu como o segundo maior álbum da história do Metal. A faixa-título é citada no livro Rock and Roll: Uma história social de Paul Friedlander como “longe de ser simplista, contendo mudanças na métrica, no andamento, na entonação e de padrões de arpejo”. E na opinião deste humilde escriba, é sim o melhor disco da banda.

…And justice for all
Lançado: 6 de Setembro de 1988
Gravado: Jan/88 – Mai/88, One on One Studios, Los Angeles, Califórnia
Músicas: 9
Duração: 65:34
Gravadora(s): Elektra, Vertigo
Produção: Flemming Rasmussen
O quarto disco possui dois marcos principais na história da banda: É o disco de estréia de Jason Newsted na posição de baixista, e o primeiro a ceder uma música para a mídia televisiva, com o videoclip “One”.
O conceito obscuro, contendo referências à injustiça no sistema de leis, supressão de liberdades, guerra, insanidade e ódio, é acompanhado pelas variações musicais mais complexas de toda a discografia do Metallica. Aqui, a evolução do thrash-metal para o progressivo é altamente perceptível. Todas músicas são longas, algumas apresentam várias mudanças de estrutura (rapido, pesado, balada) e trazem iterlúdios instrumentais tão grandes quanto os solos.
Pra se ter uma idéia dessa progressividade toda, o disco tem apenas uma música a mais que os anteriores, porém, no tempo total, possui onze minutos a mais que Master of Puppets e vinte (!!!) minutos a mais que Ride the Lightning. Isso trouxe dificuldades iniciais nos shows, pois tocar músicas de mais de seis minutos desanima qualquer platéia. A solução encontrada foi fazer medleys das músicas.
O álbum também é notado pela falta de um baixo audível, como disse no outro post, e uma produção simples em excesso. Para muitos críticos da época, esse seria o disco de falência do Metallica por dois motivos: Primeiro que ninguém estava acostumado com grandes mudanças musicais em uma banda, e isso trouxe um certo desconforto e descrédito, e segundo por se “venderem” à Mtv.
Mas mesmo com essas características, no mínimo diferentes, o disco é ótimo. Na minha opinião é o mais pesado de toda discografia, com um tom mais grave nas guitarras base e no bumbo duplo da bateria.

Metallica
Lançado: 12 de agosto de 1991
Gravado: out/90 – jun/91 – One on One Studios, Los Angeles, Califórnia
Músicas: 12
Duração: 62:31
Gravadora(s): Elektra
Produção: Bob Rock
Contrariando as previsões dos críticos no final da década de 80, o Metallica não faliu. O quinto disco da banda ficou popularmente conhecido como Black Album, pois não tem um nome específico e possui uma capa preta que contém apenas o logomarca da banda num canto e a cobra da bandeira de Gadsden no outro.
Embora o álbum e a banda tenham sido aclamados pela crítica e pelo público, alguns fãs expressaram desapontamento com o rumo totalmente novo tomado pela banda. Em sua maior parte, desapareceram os riffs rápidos durante os versos e os vocais guturais presentes nos primeiros quatro álbuns da banda. A velocidade e complexidade das músicas diminuiu consideravelmente. O Black Album apresenta um Metallica mais preocupado com a harmonia e produção musical. No documentário A year and a half… é possível ver todo o trabalho e dedicação em cima de cada uma das faixas, com várias guitarras, arrajos orquestrais e teclados.
O conceito do disco se mostra como sendo as angústias pessoais, principalmente de James Hetfield. Músicas que falam de pesadelos, subconsciente, perdão, relacionamentos, respeito, auto-critica e fé duvidosa deixam isso bem claro.
Querendo ou não, com o quinto disco o metallica se torna uma banda comercial e popular, fato especialmente evidenciado pela grande quantidade de videoclipes lançados. Cinco ao todo. Isso faz o disco ser premiado com 2 Grammy, 2 Mtv Awards e ocupa atualmente a posição 16 dos discos mais vendidos do mundo, com mais de 22 milhões de cópias.
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Load
Lançado: 4 de junho 1996
Gravado: maio/95 - fev/96, The Plant Studios, Sausalito, Califórnia
Músicas: 14
Duração: 78:59
Gravadora(s): Elektra
Produção: Bob Rock
Após longos 5 anos (3 em turnê, 1 de férias e 1 gravando) sai o disco mais esperado da história do rock, e com isso o Metallica se torna a maior decepção do mundo no ano de 96. Após o crescimento musical apresentado nos primeiros 5 discos, era natural de se esperar que a banda melhorasse ainda mais. A expectativa foi ainda maior pela aceitação popular do último disco. Mas o que veio foi uma coisa bem diferente.
Load é simplesmente um disco com um monte de músicas nada a ver com nada. Possui músicas grandes, pequenas, com solo, sem solo, rápidas e lentas. Músicas que falam de temas variados como groupies, deuses, imperialismo, dor e cura. Além disso os estilos também estão extremamente variados. O que predomina é o hard-rock, mas cada música possui uma levada diferenciada como blues e country, por exemplo.
Apesar da recepção negativa dos fãs e críticos, as músicas são boas e a produção do disco também é muito bem elaborada. Assim como no Black Album, é possível ouvir mais de duas guitarras, arranjos orquestrais e teclados.
Desculpem o trocadilho, mas Load é definitivamente um disco carregado. Tem uma capa com a fotografia de Andres Serrano com sangue e sêmen, e utiliza o máximo de tempo que um cd suporta (78 min). A princípio o disco seria duplo, mas pelo tempo que isso levaria para ser gravado, decidiram lançar as músicas restantes no ano seguinte.
Seguindo a tendência Mtvística, lançaram quatro videoclipes, mas que não ajudaram a angariar novos fãs. Load é tido até hoje como a maior decepção musical na história do rock e até hoje vendeu somente 5 milhões de cópias nos Estados Unidos.

ReLoad
Lançado: 18 de Novembro de 1997
Gravado: Mai-95 -Fev/96 e Jul/97 – Out/97, The Plant Studios, Sausalito, Califórnia
Músicas: 13
Duração: 1:15:56
Gravadora(s): Universal Music
Produção: Bob Rock
Sem muito o que dizer, ReLoad é o sétimo disco da banda e conta com as músicas que não foram gravadas para entrar em Load. Conta também com uma fotografia de Andres Serrano na capa, sangue e urina.
O estilo predominante é o hard-rock sem as variações contidas no disco anterior. As letras ainda falam de coisas diversificadas como automobilismo, fama, perdão, prostituição masculina e culpa.
Uma das músicas conta com a participação especial da queridinha de Mick Jagger, Marianne Faithfull, cantarolando um singelo “lalalalala”.
Esse é o último disco de estúdio com músicas próprias que conta com a participação de Jason Newsted no baixo. Os próximos seriam S&M (gravação ao vivo com orquestra) e Garage Inc.( cd duplo de covers).

St. Anger
Lançado: 05 de junho de 2003
Gravado: Mai/02 - Abr/03, Metallica’s HQ, San Rafael, Califórnia
Músicas: 13
Duração: 1:13:08
Gravadora(s): Universal Music
Produção: Bob Rock
Como disse no post anterior, logo após a saída de Jason, o Metallica enfrenta a pior crise de sua carreira. O reflexo disso apareceu em St. Anger. O disco inteiro retrata as angústias enfrentadas por todos os integrantes. O próprio James Hetfield considerou que a banda perdeu o foco no álbum porque estava num momento tão delicado que qualquer idéia recusada poderia resultar numa crise.
Por mais que o disco tenha sido extremamente criticado, ele mostra um Metallica que busca voltar às suas origens, fazer a música que sempre soube fazer, sem experimentalismo e produção excessiva.
O disco é simples e cru. Conta com a ajuda do produtor Bob Rock no baixo, possui músicas grandes e agressivas (as primeiras com palavrão na história da banda) mas de uma maneira geral não agrada. Tanta crueza e agressividade juntas transmitiram na verdade um falso discurso de “foda-se”.
O grande destaque do disco está no DVD que o acompanha, onde mostra a banda tocando todas as musicas ruins ao vivo no estúdio próprio.

Death Magnetic
Lançado: 12 de Setembro de 2008
Gravado: Abr/07 – Mai/08, Sound City Studios, Van Nuys, Los Angeles, California;
Shangri La Studios, Malibu, California;
Metallica’s HQ, San Rafael, California.
Músicas: 12
Duração: 74:48
Gravadora(s): Vertigo, Warner Bros
Produção: Rick Rubin
O nono disco do Metallica é tido como o renascimento da banda. Muito bem aceito por fãs e críticos, o disco realmente volta ao padrão Metallica de compor. Traz um conceito subentendido, possui músicas rápidas, pesadas e harmoniosas. Além disso contém uma nova balada e também uma música instrumental.
Ao contrário do que o nome do disco sugere, o conceito por trás das músicas nao é o de atração pela morte, mas sim o contrário. As letras sugerem uma forma de conselho a repensarmos em nossas vidas, além de mensagens do tipo “o que nao nos mata, nos fortalece.”
O disco conta com a produção de Rick Rubin, que já trabalhou com System of a Down, Red Hot Chili Peppers e Slayer. E também com o folêgo novo do baixista Robert Trujillo, que segundo entrevistas concedidas, também ajudou no processo de composição.
É definitivamente um excelente disco, e quem é fã da banda não cosegue deixá-lo de fora da coleção.
Faltam apenas três semanas para o grande dia!
Semana que vem a terceira parte com curiosidades sobre algumas músicas.
Abraços

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