Fim do mundo, a revista Veja e o acaso
Postado em 08. nov, 2009 por mk na(s) categoria(s) Outros
Por mais que eu resista, lá vou eu ler a revista Veja novamente e me decepcionar com seus escritores e seus artigos que misturam uma pesquisa rasa com reflexões tendenciosas e uma necessidade gritante de vender revistas.
O assunto da capa (que brilhou aos meus olhos enquanto almoçava na casa de minha mãe) foi o tão falado fim do mundo em 2012. Claro que a revista Veja tinha que dedicar uma capa a esse assunto, é o comentário do momento, inclusive com um filme saindo quentinho nas telas de cinema. O problema não é falar desse assunto, mas sim a forma como se fala desse assunto e as supostas afirmações que o autor lança em seu texto como se fossem verdades evidentes.
Focarei neste texto duas das premissas que o autor utiliza para desenvolver seu texto:
1- Todas as profecias erraram.
O autor afirma diversas vezes que as profecias falharam, abaixo estou transcrevendo algumas dessas afirmações
- “[...] por que continuamos a acreditar em profecias finalistas apesar de todas elas terem fracassado redondamente?”
- “No inventário dos fracassos humanos, talvez não haja aposta tão malsucedida quanto a de marcar a data para o fim do mundo. Falhou 100% das vezes [...]”
- “As profecias do apocalipse marcham ao sabor de números redondos, catástrofes naturais e eventos astronômicos supostamente especiais. Como se sabe, nunca deram certo.”
Concordo com o autor que as tentativas do homem de calcular a data exata do fim do mundo fracassaram, mas o grande erro é estendermos esse fracasso ao texto bíblico.
Basicamente na Bíblia encontramos dois grandes tipos de profecias, as messiânicas (que dizem respeito à vinda do Messias) e as não-messiânicas (demais profecias bíblicas), o que não encontramos na Bíblia são profecias falhas e a data exata do fim do mundo, na verdade, quando Jesus foi questionado pelos seus discípulos acerca de quando ocorreria o fim deste mundo (e a restauração do paraíso eterno), Ele respondeu: “Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém o sabe, nem mesmo os anjos do céu, mas somente o Pai.” (Mateus 24.36). Portanto, o erro que o autor tanto destaca está nos homens e não nas profecias bíblicas. Várias profecias bíblicas já se realizaram, obviamente as profecias acerca do fim dos tempos e da restauração do paraíso divino não se realizaram ainda, mas isso não quer dizer que elas estão erradas.
J. B. Payne em sua obra “Enciclopédia de profecias bíblicas” apresenta 191 profecias relacionadas ao esperado Messias e Salvador judeu, todas foram cumpridas literalmente na vida, morte, ressurreição e ascensão de Jesus de Nazaré, Josh McDowell fala de mais de 300 referências ao Messias contidas no Antigo Testamento, as quais se cumpriram em Jesus.
A Bíblia contém inúmeras profecias não-messiânicas que se cumpriram na história da humanidade, no livro “A Ciência Fala”, Peter Stoner fez os seguintes comentários sobre as profecias acerca de Tiro, Samaria, Gaza-Ascalom, o crescimento de Jerusalém, Palestina, Moabe-Amom, Petra-Edom, Babilônia: “Nenhum ser humano jamais chegou a fazer predições que se comparem com aquelas que temos analisado, e muito menos as fez literalmente se cumprirem. O hiato entre a redação dessas profecias e seu cumprimento é tão grande que o crítico mai severo é incapaz de afirmar que as predições foram feitas após a ocorrência dos acontecimentos”.

Deus diz no Antigo Testamento que o mundo passará, mas sua palavra permanecerá eternamente, Jesus reitera no Novo Testamento dizendo que seus ensinamentos também permanecerão. Ninguém pode duvidar destas profecias, a palavra de Deus sobreviveu ao tempo, às guerras, às perseguições, ao criticismo, nenhuma outra obra literária da antiguidade pode se comparar à Bíblia (falo mais sobre isso no texto Maravilhosa Bíblia).
São inúmeras as profecias messiânicas e não-messiânicas que se cumpriram, dando maior valor à palavra de Deus e seus profetas do que qualquer outro documento ou predição que podemos encontrar. Aparentemente o autor do texto não parou apara pesquisar seriamente as profecias bíblicas, focando seu argumento leviano em pessoas que falaram de suas próprias bocas, e não inspirados pela verdade de um Deus Eterno e Onisciente.
2- Todas as coisas acontecem por acaso
O autor usa o argumento materialista de que tudo acontece por acaso, Deus não existe ou não interfere, todas as coisas são fruto do acaso:
- “[...] a própria humanidade, analisada do ponto de vista científico, é fruto do acaso.”
- “Por um acidente, um peixe pré-histórico desenvolveu barbatanas que, à imitação de pernas ou patas, lhes permitiram enfrentar a gravidade da Terra, e assim, por acaso, viabilizou o desenvolvimento de vertebrados fora da água.”
- “Tudo por acaso.”
Bom, gostaria que o autor explicasse como a primeira vida no planeta se formou por acaso. Esse é um problema tão grande para a ciência que algumas teorias já se formaram dizendo que a primeira vida no planeta veio do espaço, tão grande a dificuldade de se provar que o acaso gerou a primeira vida no planeta. Cientistas já tentaram de todas as formas gerar vida “por acaso” em seus laboratórios, e o resultado sempre foi o mesmo, ou seja, nenhum. A ciência empírica não chega nem perto de provar a vida “por acaso”. Da mesma forma gostaria de entender como o universo começou por acaso, como o puro acaso gerou o Big Bang? Outro enorme dilema para a ciência.

Mas esses são dilemas menores perante o Princípio Antrópico, que apresenta uma série de configurações que o universo possui para que a vida humana seja possível (Composição do oxigênio na atmosfera; Força da gravidade; Força centrífuga; Velocidade da expansão do universo; Distância média entre as estrelas na nossa galáxia; Órbita de Júpiter; Espessura da órbita da Terra; Duração da rotação da Terra; Equilíbrio nas atividades sísmicas; etc.). O Princípio Antrópico mostra que o universo e nosso planeta estão exclusivamente ajustados para gerar humanos.
Norman Geisler diz que “O astrofísico Hugh Ross calculou a probabilidade de que essas e outras constantes – 122 ao todo – pudessem existir hoje em qualquer outro planeta no Universo por acaso. Partindo da idéia de que existem 10²² planetas no Universo (um número bastante grande, ou seja, o número 1 seguido de 22 zeros), sua resposta é chocante: uma chance em 10¹³⁸ – isto é, uma chance em 1 seguido de 138 zeros! Existem apenas 10⁷⁰ átomos em todo o Universo. Com efeito, existe uma chance zero de que qualquer planeta no Universo possa ter condições favoráveis à vida que temos, a não ser que exista um Projetista inteligente por trás de tudo.”
Dizer que tudo aconteceu por acaso não é uma verdade evidente, muito menos um argumento razoável, acreditar nisso demanda muito mais fé do que acreditar em ganhar na loteria várias vezes seguidas. Haja fé…
Essa é a revista que várias pessoas estão lendo todos os dias, e quando o texto aparece lá, automaticamente damos crédito ao texto e ao autor como se ele tivesse se preparado para escrever sobre o assunto. Devemos nos preparar para criticar todas as informações que recebemos (melhor dizer que somos bombardeados) diariamente, não é porque o professor falou que está certo, muito menos porque está escrito no jornal ou nas revistas, devemos checar as fontes, criticar os argumentos, refletir sobre as afirmações, separar a busca real pela verdade da busca pelo artigo que venderá mais jornais e revistas.
Abraços,
Mk
Referências:
Collins, Francis S. A linguagem de Deus: um cientista apresenta evidências de que Ele existe. – São Paulo: Editora Gente, 2007.
Geisler, Norman L. Enciclopédia de apologética: respostas aos críticos da fé cristã. – São Paulo: Editora Vida, 2002.
Geisler, Norman L. Não tenho fé suficiente para ser ateu. – São Paulo: Editora Vida, 2006.
McDowell, Josh. Evidência que exige um veredito: evidências históricas da fé cristã. – 2 ed. – São Paulo: Editora Candeia, 1996.

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Grizzu
nov 9th, 2009
Belo texto, grande MK!!!
caio
nov 9th, 2009
Grande texto, belo mk
Paulera
nov 9th, 2009
Ooo mermao, também acho que não será o fim do mundo, mas eu e o Juliao vamos construir a arca mesmo assim. Mudanças deverá acontecer, mas acho que não será o fim.
guga
nov 9th, 2009
já consegui 3 brasileiras pra arca paulera! já fez seus contatos aí na frança e resto da europa?
guga
nov 9th, 2009
oooo que emoção!! primeiro lugar, gostaria de agradecer ao MK por colocar um post no site! e dar os parabéns por ser um assunto tão interessante!! valeu MK!
quanto a essa historia de fim do mundo, eu acho que nao vai acontecer nada, embora alguns argumentos apresentados sobre movimentos/alinhamento dos planetas e etc. façam sentido…
bom, ali no finalzinho, o astrofísico Hugh Ross fez os cálculos pra mostrar que outros planetas são inóspitos aos humanos, mas não descartou a possibilidade de serem habitados por outros seres, certo? ou ele nunca tocou nesse assunto?
sei que isso é outro assunto, não tem muito a ver com post, mas eu não consigo não acreditar que no meio de tantos planetas nenhunzinho tem vida…
Grizzu
nov 9th, 2009
Concordo c o Guga sobre “eu não consigo não acreditar que no meio de tantos planetas nenhunzinho tem vida…”.. Seria muito egoísmo do ser humano pensar assim sobre um universo tão grande e em constante expansão!!
Qt ao fim do mundo, tb duvido q aconteça.
Pode sim haver mudanças… mas não de uma hora para outra, e sim gradativa!!
Grande Mk, o eterno trovador da FD2!! mimimimimi!!!
Thedao
nov 9th, 2009
Em pensar que um dia a gente engoliu tudo que essa revista nos dizia…
Que bom que estamos com um olhar mais crítico sob o mundo!
Muito bom o texto!!
Thedao
nov 9th, 2009
eu quis dizer sobre e não sob…
caio
nov 9th, 2009
o munod vai acabar e vai ser por uma guerra nuclear
mk
nov 9th, 2009
Julião, o astrofísico Hugh Ross falou de como é improvável a existência de vida no nosso planeta e em qualquer outro planeta do Universo SE acreditarmos que tudo é por acaso, mas se acreditarmos que existe algo ou alguém maior do que as Leis do Universo, alguém que criou essas Leis por exemplo e que, portanto, poderia recriá-las ou alterá-las, aí sim poderiamos acreditar com mais confiança na vida nesse planeta e em outros planetas.
Acreditar que tudo é por acaso no nosso Universo, como o autor fala, é como acreditar que ele pegou um punhado de letras, jogou pra cima e elas caíram certinhas montando o texto que ele publicou na revista. Na verdade, estatísticamente isso deve ser mais provável que nossa vida sem algum tipo de interferência inteligente rsrsrs.
Obrigado pessoal, fico feliz que vocês tenham gostado do texto!
Um abraço,
mk
Magrão
nov 9th, 2009
Ronaldim, muito boa a discussão levantada. Tenho também me perguntado sobre as informações que nos “bombardeiam” minuto a minuto. Hoje é tão fácil fazer um texto e publicá-lo na mídia que muitos não se preocupam em pensar de forma crítica sobre o fato.
Infelizmente no Brasil muita porcaria é divulgada e a maioria dos brasileiros não possuem um senso crítico para a leitura, muito menos para a compreensão do quão negativa é a absorção de conteúdo “sensacionalista” gerado pelas revistas.
A Veja deixou de se tornar a muito tempo uma revista séria. Acima de tudo isso, o mais importante é cada um procurar sempre a leitura de artigos e notícias de autores sérios.
Sobre política e Brasil eu sempre recomendo o site do Vi o Mundo, do Azenha. Pra que quiser acompanhar o site é http://www.viomundo.com.br/